Seis antigas roças de São Tomé e Príncipe foram inscritas na Lista do Património Mundial da UNESCO, numa decisão aprovada durante a 49.ª sessão do Comité do Património Mundial, realizada em Busan, na República da Coreia. As roças distinguidas são Monte Café, Água Izé, Diogo Vaz e São João, na ilha de São Tomé, e Sundy e Belo Monte, na ilha do Príncipe.
A candidatura reconhece o valor histórico, cultural e arquitetónico destes complexos agrícolas, que desempenharam um papel central na produção de cacau e café durante o período colonial. A classificação pretende preservar este património e promover uma reflexão sobre a sua importância histórica, incluindo as memórias associadas ao trabalho forçado, à exploração e às migrações que marcaram a sua existência.
A ministra da Educação, Ciências, Cultura e Ensino Superior de São Tomé e Príncipe, Isabel Viegas de Abreu, que participou na sessão da UNESCO, saudou a decisão do Comité, considerando que a inscrição representa “uma nova página na história” do país.
A governante sublinhou que o reconhecimento internacional não apaga o passado doloroso das roças, mas presta homenagem à resistência, à resiliência, à coragem e à dignidade das mulheres e dos homens que ali viveram e trabalharam, bem como dos seus descendentes, que continuam a preservar este legado.
A inclusão das seis roças na Lista do Património Mundial reforça a projeção internacional de São Tomé e Príncipe e poderá impulsionar a valorização do património histórico, o turismo cultural e os esforços de conservação destes locais, considerados testemunhos únicos da história e da identidade do arquipélago.