A missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) a Timor-Leste, no âmbito da consulta do Artigo IV, concluiu que a economia do país deverá manter um crescimento robusto em 2025, com uma taxa estimada de 3,9%, impulsionada pela expansão fiscal e pelo aumento do crédito.
Na apresentação das conclusões preliminares, o chefe da missão técnica do FMI, Yan Carrière-Swallow, destacou o potencial da economia timorense, salientando as reservas financeiras consideráveis e a demografia favorável como elementos estratégicos para o desenvolvimento sustentável.
Apesar dos desafios persistentes, o FMI reconheceu os progressos significativos desde a independência do país e saudou os esforços de integração regional e global, nomeadamente com a adesão à Organização Mundial do Comércio (OMC) e a futura entrada na ASEAN — medidas que, segundo o organismo, poderão acelerar o crescimento económico e reforçar a agenda de reformas do Governo.
As previsões apontam ainda para uma inflação média de 0,9% em 2025, com um aumento para 1,8% em 2026, após a queda acentuada registada em 2024. Para 2026, o crescimento económico deverá situar-se nos 3,3%, abaixo da previsão do Governo timorense, que aponta para 4,3% em 2025.
O FMI elogiou igualmente os avanços nas reformas do setor financeiro, nomeadamente com a criação de legislação para insolvências, garantias sobre títulos, normas de contabilidade empresarial e uma nova lei bancária, medidas que deverão fomentar o crescimento do setor privado.
Durante a missão, a equipa do FMI reuniu-se com a ministra das Finanças, Santina Cardoso, o governador do Banco Central, Hélder Lopes, representantes do setor privado, parceiros de desenvolvimento e organizações da sociedade civil.
No final da visita, Yan Carrière-Swallow agradeceu a cooperação das autoridades timorenses e reiterou a disponibilidade do FMI para continuar a apoiar os esforços de reforma e capacitação institucional.