Uma nova análise da Oxfam revela que os super-ricos são responsáveis por uma “grave irresponsabilidade carbónica”. Segundo o estudo, o 1% mais rico ultrapassou o seu orçamento anual de emissões de CO₂ apenas 10 dias após o início de 2026, enquanto os 0,01% mais ricos esgotaram o limite em apenas 72 horas. Este ponto crítico é apelidado de “Pollutocrat Day”.
O relatório destaca que não são apenas os jatos privados ou superiates a gerar estas emissões: os ultrarricos detêm também influência desproporcional sobre políticas e investimentos em indústrias altamente poluentes. Cada bilionário investe, em média, em empresas que produzem 1,9 milhões de toneladas de CO₂ por ano.
As consequências são graves: estima-se que as emissões deste grupo possam causar 1,3 milhões de mortes relacionadas com o calor até ao final do século e gerar perdas económicas de até 44 biliões de dólares nos países de baixo e médio-baixo rendimento até 2050.
Medidas propostas
A Oxfam defende que os governos adotem políticas para reduzir as emissões dos super-ricos, incluindo:
- Imposto sobre lucros de poluidores ricos: aplicado a 585 empresas de petróleo, gás e carvão, poderia gerar até 400 mil milhões de dólares no primeiro ano.
- Tributação de bens de luxo com elevada pegada de carbono, como jatos privados e superiates.
Segundo a Oxfam, focar-se nos poluidores mais ricos é a forma mais direta de reduzir as emissões globais, combater a desigualdade e avançar para as metas climáticas do Acordo de Paris.