A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) está a apoiar a Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, na implementação de um projeto pioneiro para combater o tráfico de rinocerontes. A iniciativa, denominada Projeto Rhisotope, consiste em introduzir de forma segura isótopos radioativos nos chifres destes animais, tornando-os rastreáveis através dos monitores de radiação já instalados em fronteiras, portos e aeroportos em todo o mundo.
A África do Sul abriga a maior população de rinocerontes do planeta, mas também enfrenta níveis alarmantes de caça furtiva: só no primeiro trimestre de 2025, 103 animais foram mortos ilegalmente. Segundo a ONU, mais de 10 mil rinocerontes perderam a vida para a caça ilegal na última década. Com os chifres marcados, qualquer tentativa de transporte ou comércio ilícito poderá ser detetada, criando uma barreira adicional para os caçadores e traficantes.
Testes realizados pela Universidade de Ghent, na Bélgica, confirmaram que o método é seguro e não invasivo, não representando riscos para a saúde dos animais. Foram monitorizados 15 rinocerontes tratados e comparados com outros não tratados, sem se verificar qualquer impacto negativo.
De acordo com James Larkin, diretor da Unidade de Física de Radiação e Saúde da Universidade de Witwatersrand, a tecnologia poderá ser adaptada para proteger outras espécies ameaçadas, como elefantes e pangolins. O projeto alia ciência nuclear e conservação ambiental, reforçando o compromisso internacional na luta contra o tráfico de vida selvagem e na preservação da biodiversidade.