Os conflitos em África não podem ser resolvidos por meios militares e exigem uma abordagem proativa e preventiva, afirmou o Representante Especial das Nações Unidas junto da União Africana (UA), Parfait Onanga-Anyanga, durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU dedicada à cooperação entre as duas organizações e aos desafios de paz e segurança no continente.
Segundo Onanga-Anyanga, África enfrenta uma complexa teia de ameaças, agravadas por instituições estatais frágeis, extremismo violento, gestão desigual de recursos naturais, crime organizado, alterações climáticas e insegurança alimentar. Conflitos no Chifre de África, Sudão, Sudão do Sul e região dos Grandes Lagos, incluindo a República Democrática do Congo, continuam a provocar deslocamentos massivos e crises humanitárias. “Nenhuma solução militar poderá resolver as causas profundas destes conflitos”, advertiu o enviado especial, apelando a soluções pacíficas e duradouras.
Em nome da UA, o embaixador Mohamed Fathi Ahmed Edrees sublinhou que o continente enfrenta uma onda sem precedentes de ameaças à segurança, defendendo respostas coordenadas e sustentáveis para garantir a estabilidade. Ambos os representantes destacaram a cooperação estreita entre a ONU e a UA como um pilar essencial do multilateralismo e da prevenção de conflitos.
A Secretária-Geral Adjunta da ONU para África, Martha Pobee, recordou que a resolução 2719, adotada em 2023, reforça a parceria operacional entre a ONU e a UA para responder de forma mais eficaz aos conflitos armados. Entre os avanços registados estão novas modalidades de planeamento conjunto, regras financeiras para missões africanas e mecanismos de proteção de civis. A diplomata destacou que os esforços em curso visam assegurar que a colaboração entre as duas organizações combine visão estratégica e eficácia prática na promoção da paz em África.