Governadores africanos e FMI reforçam parceria para impulsionar a transformação económica de África

O Grupo de Governadores Africanos e o Fundo Monetário Internacional (FMI) reafirmaram o compromisso de reforçar a resiliência das economias africanas e acelerar a transformação económica do continente, num contexto marcado por conflitos internacionais, custos elevados de financiamento e redução da ajuda externa. A posição foi expressa numa declaração conjunta divulgada a 14 de outubro, após uma reunião realizada em Banguecoque, na Tailândia, à margem das Reuniões Anuais de 2026 do FMI e do Banco Mundial.

Segundo a declaração, o crescimento económico de África deverá atingir 4,5% em 2026, enquanto a inflação deverá abrandar para 9,3%, permanecendo, contudo, num nível elevado. Apesar da capacidade de resistência demonstrada pelas economias africanas nos últimos anos, persistem desafios relacionados com a dívida pública, os custos do seu serviço e a limitação dos recursos disponíveis para financiar o desenvolvimento. O agravamento das condições financeiras internacionais e a possibilidade de um fenómeno El Niño intenso poderão aumentar estas pressões.

O presidente do Grupo de Governadores Africanos, Seedy Keita, ministro das Finanças e dos Assuntos Económicos da Gâmbia, e a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, destacaram a importância de preservar a estabilidade macroeconómica, controlar a inflação e assegurar a sustentabilidade das finanças públicas. Os responsáveis defenderam também o reforço da governação e da transparência, bem como a mobilização de recursos internos para financiar infraestruturas, proteger as populações vulneráveis e aumentar a capacidade de resposta às alterações climáticas.

A declaração salienta ainda a necessidade de criar condições mais favoráveis ao investimento, desenvolver os mercados financeiros e aprofundar a integração económica regional. Neste contexto, a implementação plena da Zona de Comércio Livre Continental Africana é apontada como um instrumento essencial para alargar os mercados, fortalecer as cadeias de valor regionais, aumentar a competitividade internacional e promover a criação de emprego. Os responsáveis consideram que os recursos naturais e o potencial empreendedor do continente podem contribuir para o crescimento económico mundial, desde que gerem maiores benefícios para as populações africanas.

O FMI comprometeu-se a continuar a apoiar os países africanos através de aconselhamento económico adaptado às necessidades nacionais, assistência técnica e financiamento, quando necessário. O objetivo é ajudar os governos a recuperar margem de manobra orçamental, proteger os grupos mais vulneráveis e promover um crescimento sustentável, inclusivo e gerador de emprego. O Grupo de Governadores Africanos saudou igualmente a criação de um terceiro lugar para a África Subsariana no Conselho de Administração do FMI e defendeu novos progressos no sentido de uma representação mais expressiva da região na instituição.

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