O Mali regista um aumento rápido dos casos de difteria, doença evitável, desde meados de setembro de 2025. Segundo as autoridades de saúde, mais de 530 casos e 30 mortes foram oficialmente reportados no início de dezembro, mas as Nações Unidas alertam que o número real poderá ser muito superior devido à subnotificação generalizada. A propagação da doença é facilitada por um sistema de saúde fragilizado, escassez crónica de recursos e acesso humanitário cada vez mais limitado.
As regiões mais afetadas são Mopti e Ségou, no centro do país, e Tombuctu, no noroeste, onde se registam as taxas de mortalidade mais elevadas. Estes territórios, já marcados pela insegurança, restrições de circulação e colapso dos serviços públicos, veem a doença espalhar-se rapidamente devido à falta de vacinas e ao acesso reduzido a cuidados de saúde. Os deslocamentos populacionais e a instabilidade contínua agravam ainda mais a situação.
Em resposta à emergência, o chefe das operações de socorro da ONU, Tom Fletcher, desbloqueou um milhão de dólares do Fundo Central de Intervenção de Emergência (CERF) para financiar uma resposta sanitária imediata. Os recursos permitirão à Organização Mundial da Saúde (OMS) mobilizar equipas médicas, fornecer antibióticos e antitoxinas, reforçar a prevenção, acompanhar contactos e sensibilizar as comunidades.
Contudo, a eficácia destas medidas enfrenta sérias limitações devido às dificuldades de acesso humanitário. Em vastas áreas do centro e do norte do Mali, a escassez de combustível, as restrições de circulação e a insegurança dificultam as intervenções em terreno. Clínicas móveis têm o seu raio de ação reduzido, cadeias de abastecimento estão fragilizadas e muitas populações permanecem fora do alcance dos cuidados, aumentando o risco de propagação descontrolada da doença.