RD Congo: Crise alimentar agrava-se e já afecta mais de 26 milhões de pessoas

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) alertaram na passada quinta-feira para o agravamento da crise de fome na República Democrática do Congo (RDC), onde mais de 26,5 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda. Segundo as agências, este valor representa quase um em cada quatro habitantes do país, num dos cenários humanitários mais críticos do mundo.

De acordo com a Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC), mais de 3,6 milhões de pessoas encontram-se em situação de emergência (Fase 4), o que significa falta grave de alimentos e risco imediato para a sobrevivência sem assistência urgente. Entre os grupos mais vulneráveis estão crianças e mulheres grávidas, com mais de 4,18 milhões de crianças menores de cinco anos a necessitar de tratamento para desnutrição aguda no primeiro semestre de 2026.

As províncias orientais, nomeadamente Kivu do Norte, Kivu do Sul, Ituri e Tanganica, continuam a ser as mais afectadas, devido à persistência de conflitos armados, deslocações em massa e colapso dos sistemas locais de produção e distribuição alimentar. Actualmente, mais de 7,8 milhões de pessoas estão deslocadas internamente no país, muitas delas sem acesso regular a alimentos, cuidados de saúde ou rendimento.

A FAO e o PMA sublinham que a combinação de preços elevados dos alimentos, surtos de doenças como cólera e sarampo, e a insegurança persistente está a empurrar comunidades inteiras para níveis críticos de sobrevivência. As agências alertam ainda que o financiamento humanitário continua insuficiente, obrigando a uma resposta limitada face à dimensão da crise.

As organizações apelam a um aumento urgente da assistência internacional, estimando que são necessários mais de 200 milhões de dólares adicionais para expandir o apoio alimentar e agrícola. Sem reforço imediato, alertam, a crise poderá agravar-se ainda mais, comprometendo a recuperação de milhões de famílias e prolongando um ciclo de fome e instabilidade no país.

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