O Conselho de Direitos Humanos da ONU ouviu na passada quinta-feira alertas sobre o aumento da violência genocida no Sudão, após quase três anos de guerra marcada por assassinatos, violações sexuais e outras graves violações de direitos humanos.
O conflito entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as forças paramilitares Rapid Support Forces (RSF) intensificou-se em 2025, com o número de civis mortos a subir para pelo menos 11.300, quase três vezes mais do que em 2024, segundo relatório do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk. Muitas vítimas continuam desaparecidas ou sem identificação.
O relatório destacou que mulheres e meninas têm sido alvo de violência sexual sistemática, incluindo violação, tortura sexual e escravidão, sendo que mais de 500 casos foram documentados em 2025. Escolas, hospitais, mercados e locais religiosos têm sido atacados indiscriminadamente.
O assalto ao campo Zamzam e a ofensiva em El Fasher, no Darfur do Norte, foi descrito como uma onda de carnificina com milhares de mortos, configurando crimes de guerra e possíveis crimes contra a humanidade. Vídeos e testemunhos indicam execuções acompanhadas de insultos étnicos, sugerindo intenção genocida contra comunidades Zaghawa e Fur.
O presidente da missão de averiguação internacional independente, Mohamed Chande Othman, alertou que a guerra ameaça agora a região de Kordofan, com ataques a comboios humanitários já provocando quase 600 vítimas civis em 2026. O relatório enfatiza que, sem proteção urgente e responsabilização credível, o risco de violência genocida adicional permanece grave e contínuo.