O número de casos de cólera em Darfur do Norte, no Sudão, disparou para mais de 1.180 desde o final de junho, incluindo quase 300 crianças, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Pelo menos 20 mortes foram registadas apenas na cidade de Tawila, epicentro do surto, que acolheu mais de 500 mil pessoas deslocadas por violência desde abril deste ano.
Em todo o território dos cinco estados de Darfur, os casos já somam quase 2.140, com mais de 80 mortes até 30 de julho. O surto de cólera soma-se à grave crise de saúde e segurança alimentar provocada pelos conflitos armados, que colocam mais de 640 mil crianças menores de cinco anos em risco elevado devido à violência, doenças e fome.
Segundo avaliações recentes, o número de crianças com desnutrição aguda grave em Darfur do Norte duplicou no último ano. Esta combinação — fome e cólera — é potencialmente fatal: crianças já enfraquecidas pela subnutrição têm maior probabilidade de contrair a doença e morrer.
Sheldon Yate, representante do UNICEF no Sudão, alertou que, embora a cólera seja evitável e tratável, a propagação acelerada ameaça vidas infantis todos os dias. A UNICEF voltou a apelar por acesso humanitário seguro, urgente e sem restrições, sublinhando que cada dia de atraso coloca em risco vidas que ainda podem ser salvas.