O Governo da Tanzânia confirmou esta quinta-feira o bloqueio da rede social X (antigo Twitter), medida em vigor desde 20 de maio, alegando a presença de conteúdos que violam as normas e valores nacionais, como pornografia e promoção da homossexualidade.
Segundo o ministro da Informação, Jerry Silaa, a plataforma “divulga materiais contrários à legislação, cultura e tradições da Tanzânia”, afirmando que os conteúdos eróticos disponíveis na rede não são compatíveis com os regulamentos nacionais.
A rede social, detida por Elon Musk, permite a publicação de pornografia consensual desde 2023.
O bloqueio coincidiu com o ataque informático à conta oficial da polícia, onde foi falsamente anunciada a morte da Presidente Samia Suluhu Hassan.
Na mesma altura, o canal do YouTube da autoridade fiscal também foi invadido e preenchido com vídeos impróprios.
Este episódio ocorre num momento sensível, com eleições legislativas e presidenciais marcadas para outubro, e insere-se num ambiente de maior controlo sobre plataformas digitais.
Diversas ONG e membros da oposição alertam para um regresso a práticas repressivas semelhantes às do antigo Presidente John Magufuli.
O ministro advertiu ainda que o Governo continuará a vigiar outras redes sociais que, na sua perspetiva, difundam conteúdos que violem a lei tanzaniana. Desde o início do bloqueio, o acesso ao X só é possível através de redes privadas virtuais (VPN), de acordo com testemunhos locais.