A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) lançou uma nova rede internacional destinada a reforçar a monitorização dos lagos e a apoiar os países na protecção e recuperação destes ecossistemas. A Rede Global de Isótopos em Lagos (GNIL, na sigla em inglês) pretende criar uma base de dados internacional que reúna informações sobre isótopos estáveis, composição química da água e condições ambientais dos lagos naturais e artificiais.
A iniciativa foi apresentada a 26 de Outubro, durante um evento da presidência da 17.ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP17), realizada em Erevan, na Arménia. Segundo a AIEA, 22 países já manifestaram interesse em aderir à rede, que pretende facilitar a partilha de informação científica e permitir a comparação de dados entre diferentes regiões e ao longo do tempo.
O sistema recorrerá à análise de isótopos estáveis de hidrogénio e oxigénio, que funcionam como indicadores naturais capazes de revelar a origem, a idade e a circulação da água. Estes dados, associados a medições da sua composição química e a outras observações ambientais, permitirão compreender melhor a forma como os lagos respondem às alterações da precipitação, à evaporação e a outras pressões ambientais, ajudando a identificar as áreas onde as medidas de conservação e recuperação poderão ter maior impacto.
A directora-geral adjunta da AIEA e responsável pelo Departamento de Ciências e Aplicações Nucleares, Najat Mokhtar, alertou que os ecossistemas de água doce estão entre os mais ameaçados do planeta, devido à degradação ambiental, à utilização insustentável da água e às alterações das condições climáticas. A responsável sublinhou que os lagos são essenciais para o abastecimento de água potável, a produção de alimentos e a criação de emprego, sustentando os meios de subsistência de milhões de pessoas.
A GNIL reúne agências nacionais, instituições de investigação, laboratórios e organizações parceiras, apoiando-se em mais de seis décadas de experiência da AIEA na monitorização global de isótopos. A rede complementará os sistemas já existentes para a precipitação e os rios e começará por estabelecer protocolos comuns, mecanismos de governação e campanhas coordenadas de recolha de amostras. A iniciativa pretende criar, progressivamente, um sistema de acompanhamento de longo prazo que ajude os governos a proteger os recursos hídricos, a biodiversidade, a pesca e os ecossistemas lacustres.