Ajuda internacional regista queda histórica em 2025, alerta OCDE

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico revelou que a ajuda pública ao desenvolvimento sofreu uma queda histórica em 2025, com uma redução de 23,1% em termos reais face ao ano anterior.

Segundo dados preliminares, a ajuda internacional total dos países membros e associados do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento (DAC) atingiu 174,3 mil milhões de dólares em 2025, recuando para níveis semelhantes aos registados em 2015, ano da adoção da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Entre os maiores doadores, a Alemanha liderou pela primeira vez, com 29,1 mil milhões de dólares, seguida dos Estados Unidos (29 mil milhões), do Reino Unido, do Japão e da França. No entanto, todos os cinco principais doadores reduziram os seus níveis de ajuda, sendo responsáveis por mais de 95% da queda global.

De acordo com o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, a redução ocorre num contexto de crescente pressão fiscal e de incerteza global. O responsável alertou ainda para os riscos associados aos conflitos internacionais, nomeadamente no Médio Oriente, que podem afetar o crescimento económico e a segurança alimentar.

Apesar da tendência geral de queda, quatro países ultrapassaram a meta das Nações Unidas de 0,7% do rendimento nacional bruto destinado à ajuda internacional: Dinamarca, Luxemburgo, Noruega e Suécia.

Os dados mostram também uma redução significativa na ajuda bilateral destinada a programas de desenvolvimento, que caiu 26,3%, bem como na ajuda humanitária e no financiamento para refugiados nos países doadores.

No caso da Ucrânia, a ajuda bilateral diminuiu, mas o apoio total aumentou quando considerados os fundos das instituições da União Europeia, atingindo um nível recorde.

Para o presidente do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento, Carsten Staur, a tendência é preocupante num momento em que aumentam as necessidades humanitárias globais. O responsável defende a inversão desta trajetória, sublinhando que o mundo precisa de mais investimento no combate à pobreza, na resiliência económica e na transição ecológica.

A OCDE prevê ainda uma nova redução da ajuda internacional em 2026, estimada em cerca de 5,8%, o que poderá agravar os desafios enfrentados pelos países mais vulneráveis.

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