O governo chinês deu mais um passo na sua estratégia de autossuficiência tecnológica. Pela primeira vez, o Ministério do Comércio da China publicou documentos oficiais apenas acessíveis através do WPS Office, um pacote de software desenvolvido pela empresa Kingsoft, sediada em Pequim, e considerado a alternativa chinesa ao Microsoft Office.
Os novos documentos, relativos aos controlos de exportação de terras raras, não podem ser abertos no Microsoft Word nem em outros processadores de texto ocidentais. Segundo o South China Morning Post, esta decisão marca uma rutura simbólica com o domínio do software norte-americano e representa um gesto político num contexto de tensões comerciais crescentes entre Pequim e Washington.
O WPS Office, compatível com Windows, Linux, Android e iOS, utiliza um formato de codificação próprio, o que impede a leitura direta dos ficheiros em programas estrangeiros. Até agora, o Ministério do Comércio chinês publicava documentos no formato Word, o que sugere uma mudança deliberada para privilegiar tecnologia nacional.
A decisão surge após o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter ameaçado restringir a exportação de “software crítico” em resposta às políticas chinesas sobre matérias-primas estratégicas.
A medida é vista como um aviso político e, ao mesmo tempo, como parte do esforço da China para reduzir a dependência de produtos tecnológicos ocidentais e fortalecer o seu ecossistema digital próprio.