A captura de Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas deixou Cuba sem o seu principal aliado político e económico, aumentando os receios de um agravamento severo da crise na ilha. Havana dependia fortemente do petróleo venezuelano subsidiado, que representava cerca de 70% das importações energéticas cubanas nos últimos meses.
As autoridades cubanas confirmaram a morte de 32 cidadãos no ataque em Caracas, onde trabalhavam como elementos de segurança do presidente venezuelano. Para além do impacto humano, o afastamento de Maduro ameaça cortar o fornecimento de cerca de 35 mil barris de petróleo por dia, essenciais para o funcionamento da economia cubana.
Especialistas admitem que os Estados Unidos possam avançar para um embargo petrolífero indireto, sem intervenção militar direta, aprofundando uma crise já marcada por inflação superior a 20%, escassez de bens essenciais e uma economia em contração.
Apesar da gravidade do cenário, analistas consideram improvável uma revolta popular iminente. Segundo o politólogo Bert Hoffmann, o agravamento das condições de vida nem sempre se traduz em mobilização social, sobretudo num contexto de forte controlo político e incerteza sobre o que poderá seguir-se a uma eventual mudança de regime.
A administração Trump mantém um discurso agressivo em relação a Havana, alimentando receios de que Cuba possa ser o próximo alvo da pressão norte-americana após a Venezuela.