O ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, afirmou que a soberania da Gronelândia “nunca poderá ser negociada”, rejeitando categoricamente a ideia de uma anexação militar por parte dos Estados Unidos.
A declaração surge depois de Donald Trump voltar a sugerir, em 2025, que a Gronelândia — território semiautónomo dinamarquês — deveria ser integrada nos EUA, invocando razões de segurança nacional. Ao contrário da abordagem comercial de 2019, Trump não excluiu este ano o uso de força militar ou pressão económica para alcançar esse objetivo.
“Levámo-lo muito a sério”, admitiu Rasmussen, sublinhando que a Dinamarca está aberta a reforçar a cooperação de defesa com Washington, mas sem ceder soberania.
O país já anunciou um plano de 1.95 mil milhões de euros para aumentar a sua presença militar no Ártico e Atlântico Norte.
Enquanto os EUA alegam interesse estratégico e económico — devido aos recursos naturais e localização geopolítica da ilha —, a população gronelandesa mantém-se firme contra qualquer integração, elegendo recentemente um governo pró-autodeterminação.
A Europa reagiu com firmeza.
Ursula von der Leyen e António Costa expressaram apoio total à Dinamarca, com Emmanuel Macron a visitar a Gronelândia para reforçar a solidariedade europeia. Embora a ilha não pertença à UE, Bruxelas garante que seria abrangida pela cláusula de defesa coletiva em caso de agressão.
Rasmussen reconhece incertezas sobre as intenções de Trump, mas mantém-se confiante numa resolução pacífica: “Não considero este assunto encerrado, mas acredito que o podemos ultrapassar diplomaticamente.”