O embaixador dos Estados Unidos na NATO, Matthew Whitaker, afirmou na Conferência de Segurança de Berlim que gostaria de ver a Alemanha assumir, a longo prazo, o cargo de Comandante Supremo Aliado na Europa (SACEUR), função tradicionalmente ocupada por oficiais norte-americanos. Embora considere esse cenário distante, Whitaker disse esperar que Berlim venha um dia declarar-se preparada para esse papel.
A declaração surge num contexto em que Washington procura reduzir gradualmente o seu peso na aliança e insiste que a segurança europeia deve depender mais dos próprios europeus. Vários analistas explicam que tal mudança só faria sentido a longo prazo, sobretudo devido à instabilidade da guerra na Ucrânia.
Especialistas como Carlo Masala lembram que a nomeação de um SACEUR europeu alteraria a atual lógica militar, já que o comandante da NATO acumula também o comando das tropas americanas na Europa. Mesmo assim, reconhecem que a Alemanha, pelo investimento crescente na defesa, é hoje o país europeu com maior capacidade para desempenhar um papel de liderança.
Fontes da NATO indicam, porém, que esta possibilidade não está a ser discutida formalmente, embora admitem que os EUA pressionam a Europa a assumir responsabilidades acrescidas na defesa comum.