O aumento da procura mundial de pistácios, impulsionado pela moda do chocolate do Dubai, reacendeu a histórica disputa comercial entre os Estados Unidos e o Irão. A forte procura, combinada com quebras de produção nos EUA devido a condições climáticas adversas, deu novo fôlego às exportações iranianas, que cresceram mais de 40% para os Emirados Árabes Unidos.
A rivalidade entre os dois países no mercado do pistácio remonta à Revolução Islâmica iraniana, em 1979, quando Washington impôs sanções e começou a investir na produção em larga escala na Califórnia. Apesar dos altos e baixos diplomáticos, a produção americana acabou por superar a iraniana, especialmente após novas sanções e fenómenos climáticos que devastaram colheitas no Irão.
Atualmente, EUA, Irão e Turquia dominam 88% da produção mundial de pistácios.
Segundo dados recentes, o Irão tem aumentado novamente a produção, alcançando 300 mil toneladas métricas em 2024, um crescimento de 15% em dois anos. No entanto, enfrenta a forte concorrência de preços dos pistácios americanos, mais baratos no mercado internacional.
Enquanto o pistácio iraniano continua a ser apreciado pela sua qualidade, os efeitos das sanções e as dificuldades no acesso aos mercados globais mantêm o Irão em desvantagem, numa disputa económica que se prolonga há décadas — e que agora, curiosamente, volta a ganhar força através da popularidade do chocolate.