A proposta de orçamento federal para 2026 apresentada por Donald Trump prevê uma redução drástica no financiamento da NASA, com cortes de quase 50% no orçamento científico e uma diminuição global de 24% nos recursos da agência espacial norte-americana. A medida provocou uma vaga de saídas entre os trabalhadores da instituição, estimando-se que cerca de 3.870 funcionários abandonem a NASA nos próximos meses.
Segundo um comunicado interno enviado aos trabalhadores, aproximadamente 20% do efetivo atual da agência optou por aderir ao programa de demissão voluntária lançado pela administração norte-americana.
A responsável pela comunicação da NASA, Cheryl Warner, confirmou que 870 funcionários saíram na primeira fase do programa, com mais 3.000 a fazê-lo na segunda, até ao prazo final de sexta-feira.
O número inclui também cerca de 500 pessoas que deixaram os quadros da agência através de programas regulares de reforma antecipada e incentivos à separação voluntária.
Após estas saídas, a NASA deverá ficar com cerca de 14.000 trabalhadores até ao início de 2026, o que representa uma das maiores reduções de pessoal da sua história recente.
Em resposta aos cortes e ao clima interno, mais de 360 cientistas e antigos colaboradores da NASA assinaram uma carta aberta – a “Declaração Voyager” – em que denunciam a redução de verbas, o cancelamento de bolsas de investigação e uma “cultura de silêncio organizacional” que, alertam, poderá comprometer a segurança dos astronautas em futuras missões.
Apesar da saída em massa de trabalhadores, a NASA assegura que mantém como prioridade a segurança das suas operações e a continuidade dos programas de exploração espacial.
Em comunicado, a agência afirma estar a trabalhar para se tornar “mais ágil e eficiente”, garantindo que os planos para o regresso à Lua e futuras missões a Marte se mantêm em curso.