EUA justificam novas tarifas ao Brasil com críticas ao Pix, redes sociais e comércio

O governo dos Estados Unidos poderá avançar com tarifas de até 25% sobre diversos produtos brasileiros, alegando que o Brasil adota práticas comerciais consideradas “irrazoáveis”. A proposta foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e ainda depende da aprovação da Casa Branca.

Entre as principais críticas está o Pix. Washington considera que o sistema de pagamentos instantâneos favorece uma solução estatal em detrimento de empresas privadas estrangeiras, apontando um potencial conflito de interesses no papel do Banco Central como regulador e operador da plataforma.

O documento também questiona decisões judiciais brasileiras relacionadas com redes sociais, citando o bloqueio do X em 2024 e medidas que obrigam plataformas a remover conteúdos ou suspender contas. Para os EUA, estas ações afetam diretamente empresas tecnológicas norte-americanas.

Além disso, o USTR acusa o Brasil de conceder vantagens tarifárias a países como México e Índia, dificultar o acesso do etanol americano ao mercado brasileiro, falhar no combate à pirataria e à corrupção e não controlar adequadamente o desmatamento ilegal.

O governo brasileiro rejeita as acusações. Brasília argumenta que o Pix promove concorrência e inclusão financeira, que as decisões judiciais aplicam-se de forma igual a todas as empresas e que o país cumpre as regras internacionais em matéria comercial, ambiental e de propriedade intelectual.

A proposta integra uma investigação iniciada em 2025 e poderá resultar em novas medidas comerciais caso não haja acordo entre os dois países até julho.

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