A profunda remodelação do governo federal dos EUA, conduzida pelo Presidente Donald Trump e pelo seu conselheiro Elon Musk, está a gerar sérias preocupações entre especialistas em segurança, que alertam para um risco de espionagem sem precedentes.
Através do novo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), milhares de funcionários com acesso a informação sensível têm sido afastados, criando oportunidades para potências como a Rússia e a China recrutarem informadores.
Segundo ex-responsáveis dos serviços secretos, o número de saídas do setor público em 2025 já ultrapassa largamente a média anual de 100 mil, embora não existam dados oficiais.
John Schindler, antigo agente de contraespionagem, afirmou que há sempre riscos, mas que o DOGE está a agravar a situação, acrescentando que é uma questão de tempo até alguém cruzar a linha.
Os riscos não se limitam aos serviços secretos.
Agências como o Pentágono, o Departamento de Energia e o Gabinete do Representante Comercial lidam com dados que, em mãos erradas, podem comprometer a segurança nacional.
Theresa Payton, ex-chefe de informação da Casa Branca, alerta que aquelas informações são altamente valiosas e constituem alvos óbvios para potências estrangeiras e redes criminosas.
Apesar disso, a maioria dos funcionários mantém o dever de sigilo mesmo após sair do cargo.
O DOGE enfrenta já cerca de 20 processos judiciais. Na semana passada, um juiz suspendeu os cortes na USAID por considerar que o desmantelamento da agência pode ser inconstitucional.