A ameaça do presidente norte-americano Donald Trump de aplicar tarifas alfandegárias de 30% às exportações da União Europeia, a partir de 1 de agosto, está a lançar uma sombra sobre as perspetivas económicas do bloco europeu. A medida poderá desencadear uma nova guerra comercial transatlântica e comprometer o recente otimismo nos mercados europeus.
Segundo o Goldman Sachs, se as tarifas forem totalmente aplicadas, o impacto no PIB da zona euro poderá atingir uma quebra acumulada de 1,2% até ao final de 2026. Mesmo num cenário mais moderado, o banco antecipa uma redução de 0,6% no crescimento económico.
Apesar da gravidade do cenário, Bruxelas opta, para já, pela contenção. A Comissão Europeia confirmou que não irá retaliar antes de agosto, embora tenha já preparado medidas de resposta que poderão afetar 72 mil milhões de euros em importações dos EUA.
A tensão surge num momento em que o euro regista uma valorização significativa face ao dólar e os mercados europeus vivem um período de forte confiança, impulsionado por planos de estímulo, como o pacote alemão de infraestruturas de 500 mil milhões de euros. Investidores aumentaram fortemente a exposição à zona euro, mas os analistas alertam que a entrada em vigor das tarifas poderá inverter rapidamente essa tendência.
O risco é claro: se Trump avançar com a sua política tarifária, o crescimento europeu poderá sofrer uma travagem brusca, com impactos diretos no investimento, nas exportações e no emprego.