Donald Trump criticou duramente o governo espanhol durante a conferência de imprensa final da cimeira da NATO, em Haia, por considerar que o país não está a contribuir o suficiente para a defesa comum. O presidente norte-americano ameaçou Madrid com um novo acordo comercial, afirmando: “Vamos obrigá-los a pagar o dobro”. Espanha prevê gastar 2,1% do PIB em defesa, valor que, segundo Trump, é inferior ao exigido pela Aliança Atlântica.
A tensão surgiu após a divulgação de uma carta assinada por Pedro Sánchez e pelo secretário-geral da NATO, Mark Rutte, que indicava alguma flexibilidade para a definição de metas orçamentais.
No entanto, Rutte recusou confirmar essa interpretação, gerando polémica entre os aliados e abrindo uma brecha na unidade da organização. Países como a Bélgica e a Eslováquia manifestaram apoio à posição espanhola.
Em Espanha, o episódio teve forte impacto político.
O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, acusou Sánchez de ter mentido aos espanhóis ao aceitar os 5% de despesa exigidos, enquanto a líder do Podemos, Ione Belarra, criticou a “traição” à classe trabalhadora e rejeitou a submissão à NATO. As críticas surgem num contexto de instabilidade interna no PSOE, marcado por suspeitas de corrupção.
Pedro Sánchez defendeu-se, garantindo que a proposta espanhola é “suficiente, realista e compatível com as despesas sociais”.
O primeiro-ministro afirma que, após a cimeira, “ganha a NATO, ganha Espanha, ganha a segurança e o Estado social”, procurando assim reforçar a sua imagem de líder responsável e afastar o foco da contestação interna.