EUA: Trump impõe tarifa de 100% sobre filmes produzidos fora do país

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova medida no âmbito da sua política comercial, ao ordenar a aplicação de uma tarifa de 100% sobre todos os filmes produzidos no estrangeiro e exibidos em território norte-americano.

A decisão foi divulgada no domingo à noite, através da sua plataforma Truth Social, onde justificou a medida com o argumento de que a indústria cinematográfica americana está “a morrer rapidamente”.

Trump acusou outros países de estarem a oferecer incentivos para atrair estúdios e cineastas, afastando-os dos Estados Unidos, o que, no seu entender, constitui um esforço coordenado que representa uma ameaça à segurança nacional. Considerou ainda que muitos destes conteúdos transmitem “mensagens e propaganda”.

Embora o Presidente tenha autorizado o Departamento do Comércio e o Gabinete do Representante Comercial dos EUA a aplicar a nova tarifa, não foram ainda esclarecidos os mecanismos concretos para a sua implementação.
A complexidade das produções internacionais — que frequentemente envolvem filmagens em vários países — levanta dúvidas quanto à exequibilidade da medida.

Nos últimos anos, a produção cinematográfica nos EUA tem vindo a enfrentar dificuldades, com quedas significativas provocadas pela pandemia de covid-19, greves em Hollywood em 2023 e fenómenos naturais como os incêndios florestais na Califórnia.
Segundo dados da empresa ProdPro, a produção nos EUA caiu 26% entre 2021 e 2024. A região de Los Angeles registou em 2024 o segundo pior ano em termos de filmagens, apenas superado por 2020.

Paralelamente, diversos estados e países reforçaram os seus programas de incentivos, contribuindo para a deslocalização das filmagens. Locais como Toronto, o Reino Unido, a Europa Central, a Austrália e cidades canadianas como Vancouver têm liderado as preferências das produtoras internacionais, de acordo com um inquérito anual citado pelo Hollywood Reporter. A Califórnia surge apenas em sexto lugar.

Trump tem vindo a manifestar preocupações sobre esta tendência desde antes da sua presidência, tendo mesmo proposto, em 2016, que figuras como Mel Gibson, Jon Voight e Sylvester Stallone atuassem como “embaixadores especiais” de Hollywood, com o objetivo de revitalizar a indústria.

Apesar da retórica protecionista, os dados da Motion Picture Association (MPA) revelam que os EUA continuam a dominar o mercado global: em 2023, os filmes norte-americanos geraram 22,6 mil milhões de dólares em exportações, com um excedente comercial de 15,3 mil milhões.

A nova tarifa junta-se a uma série de medidas comerciais unilaterais já implementadas por Trump, que incluem taxas elevadas sobre produtos chineses, metais, automóveis e, brevemente, medicamentos.
O impacto da nova política no sector do entretenimento permanece, para já, incerto.

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