O investimento estrangeiro directo (IED) na América Latina e Caraíbas atingiu os 188,9 mil milhões de dólares em 2024, um crescimento de 7,1% face ao ano anterior, segundo o mais recente relatório anual da Comissão Económica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Apesar da subida, a CEPAL adverte que este fluxo financeiro permanece aquém do seu potencial transformador, e sublinha a necessidade de o integrar estrategicamente nas políticas de desenvolvimento produtivo da região.
O crescimento do IED em 2024 deveu-se sobretudo ao reinvestimento de lucros por parte de empresas transnacionais já estabelecidas, com o México e o Brasil a absorverem mais de 60% do total. No entanto, os aportes de capital novo continuam estagnados, sinalizando um fraco interesse de novas empresas em instalar-se na região. Além disso, setores como energias renováveis e tecnologias emergentes perderam terreno, enquanto os hidrocarbonetos voltaram a atrair mais investimentos.
O relatório destaca ainda a importância estratégica do setor mineiro na transição energética, com foco em minerais críticos como o lítio e o cobre. A região recebeu mais de 230 mil milhões de dólares em anúncios de investimentos na mineração entre 2005 e 2024, com 84% concentrados no Chile, Peru, Brasil e Argentina. Ainda assim, 62% das exportações desses minerais continuam a ser feitas sem processamento, o que revela uma fraca articulação entre a atracção de investimento e o desenvolvimento industrial local.
A CEPAL defende que a América Latina e Caraíbas deve reforçar as suas capacidades de gestão mineira e implementar políticas públicas que promovam a diversificação produtiva e o valor acrescentado. Só assim será possível transformar o potencial dos recursos naturais em desenvolvimento inclusivo, sustentável e gerador de empregos qualificados.