O presidente argentino, Javier Milei, enfrentou este domingo (7 de setembro) uma retumbante derrota nas eleições provinciais de Buenos Aires, um teste político decisivo antes das eleições legislativas de outubro. O seu partido, La Libertad Avanza (LLA), arrecadou apenas cerca de 34 % dos votos, enquanto a coligação Peronista Fuerza Patria, liderada pelo governador Axel Kicillof, alcançou aproximadamente 47 %, consolidando uma vitória clara e expressiva.
Após os primeiros resultados oficiais, Milei reconheceu a derrota em público, mas reafirmou o seu compromisso com o programa de reformas radicais de mercado livre que tem defendido. Mesmo perante um aparente esmorecimento da sua popularidade—agravado por um escândalo de corrupção envolvendo sua irmã e indicadores de aprovação abaixo dos 40 %—, Milei disse que manterá o rumo da sua política económica.
A derrota tem fortes implicações para o futuro político de Milei. Buenos Aires, segunda mais populosa depois da capital federal, representa cerca de 40 % do eleitorado nacional. A perda enfraquece a sua base de apoio no Congresso, fragiliza a sua capacidade de implementar reformas legislativas e dá impulso à oposição peronista — especialmente a Axel Kicillof, emergindo como possível liderança de um bloco alternativo.
Além dos impactos políticos, o desfecho já provoca preocupação nos mercados, que antecipam queda em títulos de dívida e ações, além de aumento do risco-país. O contexto económico argentino — marcado por recessão, inflação elevada, e forte desvalorização cambial — torna esta derrota ainda mais significativa.