Brasil e Uruguai abstêm-se em comunicado do Mercosul sobre Venezuela

Durante a cúpula do Mercosul realizada em Foz do Iguaçu no dia 20 de dezembro de 2025, o Brasil decidiu não assinar um comunicado que pedia o restabelecimento da democracia e o respeito aos direitos humanos na Venezuela.

A posição foi compartilhada pelo Uruguai, com base na avaliação do governo brasileiro de que o texto — liderado pela Argentina — poderia ser interpretado pelos Estados Unidos como um aval a uma eventual intervenção militar contra o governo de Nicolás Maduro.

O comunicado foi assinado por Argentina, Paraguai, Panamá, Bolívia, Equador e Peru, e expressa preocupação com a crise migratória, humanitária e social na Venezuela, defendendo mecanismos para a defesa da democracia, sem mencionar diretamente a tensão militar com os EUA.

A decisão do Brasil reflete uma postura cautelosa: embora não tenha reconhecido oficialmente a vitória de Maduro nas eleições de julho de 2024, o governo busca evitar qualquer sinal que possa intensificar o confronto militar. A Venezuela, suspensa do Mercosul desde 2017, enfrenta atualmente um cerco naval dos EUA, que interceptou vários petroleiros no Caribe sob a justificativa de combate ao narcotráfico, enquanto Caracas acusa Washington de visar suas reservas petrolíferas.

O episódio revelou uma fratura estratégica no Mercosul: enquanto Argentina e aliados pressionam por uma postura mais dura contra Caracas, Brasil e Uruguai priorizam soluções diplomáticas para evitar a escalada militar e preservar a estabilidade regional, em meio a conversas recentes de Lula com Maduro e Donald Trump para mediar a crise.

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