José Antonio Kast Rist, candidato à presidência pelo Partido Republicano do Chile, anunciou na segunda-feira que os “imigrantes ilegais” têm 128 dias para vender os seus carros e pertences pessoais, “porque, caso contrário, os deteremos e deportaremos apenas com a roupa do corpo”.
Um dos principais candidatos à presidência do Chile adotou uma postura de “tolerância zero” contra crimes relacionados com imigrantes como a sua principal bandeira política, espelhando a abordagem adotada por figuras da extrema-direita em todo o mundo.
Segundo agências que acompanham a criminalidade, apenas 9,2% dos crimes formais no Chile são cometidos por estrangeiros.
“Se forem detidos por entrada irregular, só lhes será permitido sair com a roupa do corpo, e os seus pertences permanecerão no país. Aplicaremos a lei com firmeza e transparência. No nosso governo, fecharemos a fronteira física, tecnológica e diplomatica para proteger as nossas famílias e retomar o controlo do nosso país”, afirmou também o candidato do Partido Social Cristão.
Defensor fervoroso da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) e opositor do aborto e da eutanásia, o ex-congressista, que passou 16 anos no Congresso, apresenta-se agora como o equivalente disruptivo de Donald Trump na América do Sul.
O advogado chileno-venezuelano Braulio Jatar afirmou ser inexplicável que pessoas que se adequaram à legislação chilena, que trabalham e pagam os seus impostos, tenham a sua regularização negada, impedindo-as de contribuir ainda mais para o desenvolvimento do país.
“Os imigrantes cumpriram todas as exigências legais e, mesmo assim, são excluídos do sistema bancário e associados a organizações criminosas. Esse apartheid financeiro é uma violação dos direitos humanos dos homens e mulheres que vêm trabalhar no Chile.”