A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) alertou esta quinta-feira, 18 de setembro, que os afogamentos continuam a ser uma crise de saúde pública pouco enfrentada nas Américas, apesar de serem em grande parte evitáveis. Só em 2021, mais de 17 mil pessoas morreram afogadas na região, o que corresponde a 6% das mortes globais. As crianças com menos de 5 anos e os idosos acima dos 70 são os grupos mais vulneráveis.
Entre 2023 e 2024, dados de 26 países mostraram que 77% ainda não dispõem de estratégias nacionais de prevenção. Persistem também lacunas críticas: apenas 42% têm um ponto focal governamental responsável pelo tema, só 8% incluem aulas de natação nos currículos escolares e menos de 10% obrigam por lei o uso de coletes salva-vidas.
A Opas defende que medidas simples, como barreiras em piscinas, supervisão infantil e a introdução de aulas formais de natação, podem salvar milhares de vidas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a implementação em larga escala de cuidados infantis e de aulas básicas de natação evitaria até 774 mil mortes por afogamento até 2050, com um retorno económico de 9 dólares por cada 1 investido.
Para o diretor de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da Opas, Anselm Hennis, o afogamento “é uma tragédia evitável” que exige coordenação entre governos, sociedade civil e diferentes setores. O organismo das Nações Unidas sublinha que prevenir estas mortes depende de ação multissetorial sustentada e baseada em evidências.