A violência crescente no Haiti fez disparar o número de crianças obrigadas a abandonar as suas casas, que quase duplicou no último ano, atingindo 680 mil deslocadas internas, segundo um novo relatório da UNICEF divulgado na passada quarta-feira.
O documento revela ainda que 3,3 milhões de crianças — o número mais alto alguma vez registado no país — necessitam atualmente de ajuda humanitária. Casos de má nutrição aguda, recrutamento infantil, violência de género e outras violações de direitos estão a aumentar rapidamente.
A situação humanitária agrava-se com a violência de gangues, que controlam mais de 85% da capital, Porto Príncipe, e importantes vias de acesso, isolando comunidades inteiras de alimentos, cuidados de saúde e proteção. Mais de 2,7 milhões de pessoas, incluindo 1,6 milhões de mulheres e crianças, vivem sob o domínio de grupos armados.
O sistema educativo encontra-se igualmente em colapso: mais de 1.600 escolas foram encerradas e 25 ocupadas por gangues, transformando-se em abrigos improvisados. A UNICEF alerta que apenas 15% a 20% das escolas são públicas e, mesmo assim, muitas exigem o pagamento de livros e uniformes, o que agrava a exclusão.
A agência da ONU tem prestado assistência a 86 mil crianças com desnutrição severa, assegurado cuidados de saúde a 117 mil pessoas e fornecido água potável a 140 mil habitantes, mas enfrenta falta crítica de financiamento.