A mineração ilegal de ouro está a causar danos profundos ao meio ambiente e a alimentar redes criminosas na América Latina, segundo um estudo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).
O relatório revela que práticas como o uso de mercúrio, o desmatamento e o descarte irregular de resíduos sólidos estão a degradar ecossistemas e ameaçar a saúde pública, especialmente na região amazônica.
Facções criminosas ligadas ao narcotráfico estão a explorar a extração ilícita do ouro como fonte adicional de lucro e meio para lavar dinheiro. Na Bacia do Rio Tapajós, no estado brasileiro do Pará, dois terços da produção aurífera são ilegais, aponta o estudo. Nos últimos dez anos, a área de mineração ilegal em terras indígenas cresceu 625%, abrangendo também países como Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.
O relatório destaca ainda graves violações de direitos humanos nos garimpos. Cerca de 40% dos trabalhadores entrevistados são potenciais vítimas de tráfico humano para trabalho forçado. Condições precárias, jornadas longas e elevada incidência de problemas de saúde e acidentes são comuns. Há também denúncias de tráfico de mulheres e meninas para exploração sexual, além do aumento da violência nos locais de mineração.