Maria Corina Machado, laureada com o Prémio Nobel da Paz de 2025 e líder da oposição venezuelana, afirmou que “não pode haver verdadeira liberdade sem democracia” numa conferência de imprensa realizada em Oslo, Noruega.
Após uma viagem clandestina da Venezuela, cujo árduo itinerário a impediu de chegar a tempo para a cerimónia de entrega do Prémio Nobel da Paz, Machado se encontrou com apoiantes na madrugada de quinta-feira, 11 de dezembro. Visivelmente exausta, ela foi recebida pelo primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr.
“Não posso revelar como chegamos a Oslo, pois recebi ajuda de muitas pessoas que permanecem na Venezuela e que poderiam ser prejudicadas. Quero retornar ao meu país o mais rápido possível para entregar este prémio ao nosso povo, mas primeiro quero me encontrar com minha família e as minhas equipas para definir os próximos passos”, comentou Machado.
Sobre o ultimato que Donald Trump deu a Nicolás Maduro para renunciar ao poder, Machado afirmou: “Não estou em posição de falar em nome de nenhum governo estrangeiro, mas do que tenho certeza é que o processo de transição é irreversível. Foi Nicolás Maduro quem declarou guerra aos venezuelanos depois de termos conquistado uma retumbante vitória em 28 de julho de 2024, na qual Edmundo González Urrutia saiu vitorioso.”
Machado também falou sobre as mães e famílias de presos políticos, muitos dos quais desapareceram nas mãos das forças de segurança do Estado venezuelano. “Quando finalmente pude abraçar os meus filhos, fui tomada pela emoção e me lembrei de tantas mães e famílias esperando para ver seus entes queridos voltarem para casa.”
Do Chile, com a segunda volta das eleições a aproximar-se no domingo, dia 14, Machado foi questionada sobre a possibilidade de uma vitória do candidato conservador (José António Kast) piorar as condições de vida da diáspora venezuelana naquele país. “Somos gratos a todos os países que acolheram os venezuelanos que fogem de uma ditadura brutal, e esperamos que esses refúgios permaneçam enquanto restauramos a democracia e facilitamos o retorno de nossos concidadãos para casa.”