Venezuela: Refugiados admitem voltar ao país se condições melhorarem, aponta estudo da ONU

Um novo estudo do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados revela que uma parte significativa dos refugiados venezuelanos considera regressar ao seu país caso haja melhorias nas condições de vida. O estudo indica que mais de um terço dos entrevistados manifestou intenção de voltar, sendo o principal motivo o reencontro com familiares.

Atualmente, cerca de 6,9 milhões de venezuelanos vivem fora do país na América Latina e Caraíbas, muitos deles em situação de vulnerabilidade e dependentes de ajuda humanitária. A crise económica, política e social que levou a este êxodo massivo continua a influenciar as decisões sobre um eventual regresso.

Apesar desse interesse, a maioria ainda prefere esperar. Segundo o levantamento, cerca de dois terços dos refugiados não planeiam regressar no curto prazo, apontando fatores como falta de segurança, escassez de emprego e incerteza sobre serviços básicos na Venezuela.

Outro obstáculo relevante é a falta de informação confiável: quase 60% dos entrevistados afirmam não ter dados suficientes sobre as condições reais no país, o que dificulta a tomada de decisão. Ao mesmo tempo, muitos reconhecem que os países de acolhimento oferecem melhores oportunidades de trabalho, estabilidade e acesso a serviços essenciais.

Diante deste cenário, o ACNUR reforça que qualquer retorno deve ser voluntário, seguro e digno. A organização também alerta para a necessidade de maior financiamento internacional — até agora, apenas uma pequena parte dos recursos necessários foi assegurada — para continuar a apoiar milhões de venezuelanos deslocados na região.

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