A socióloga peruana Sofía Macher Batanero foi nomeada para liderar a Missão Internacional Independente de Apuração de Factos sobre a Venezuela, criada pela Organização das Nações Unidas para investigar alegadas violações de direitos humanos no país. A decisão foi anunciada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Macher substitui a jurista portuguesa Marta Valiñas, que liderava o grupo desde a sua criação em 2019. A missão, composta por três especialistas, tem como mandato analisar abusos cometidos desde 2014 e deverá continuar em funções até outubro de 2026.
A nova presidente conta com mais de 30 anos de experiência em justiça de transição, reparações e direitos humanos, tendo participado em comissões da verdade em vários países e colaborado com organizações internacionais. Ao seu lado estarão o ativista canadiano Alex Neve e a jurista argentina María Eloísa Quintero.
Nos seus relatórios mais recentes, a missão tem alertado para a continuidade de práticas repressivas na Venezuela, incluindo detenções por motivos políticos. Segundo dados apresentados ao Conselho, foram registadas pelo menos 87 detenções após as mudanças políticas ocorridas no início de 2026.
A nomeação de Sofía Macher ocorre num contexto de forte escrutínio internacional sobre a situação dos direitos humanos no país, sendo vista como um passo importante para dar continuidade às investigações e reforçar os mecanismos de responsabilização.