A parceria espacial entre a China e o Brasil entra numa nova fase, centrada na conectividade digital e na investigação científica. A partir do primeiro semestre de 2026, regiões remotas do Brasil deverão passar a contar com internet via satélite de órbita baixa, enquanto um novo laboratório binacional de radioastronomia reforçará a cooperação científica entre os dois países.
No domínio da conectividade, a empresa chinesa SpaceSail prepara-se para disponibilizar serviços de banda larga através da constelação Qianfan, composta por satélites de órbita baixa. Um memorando de entendimento assinado com a Telebras prevê a utilização desta infraestrutura para ligar escolas, hospitais e serviços públicos em zonas com fraca cobertura digital, contribuindo para a redução das desigualdades regionais.
Paralelamente, a China Electronics Technology Group Corporation estabeleceu uma parceria com universidades federais do Nordeste brasileiro para criar o Laboratório Conjunto China–Brasil de Tecnologia de Radioastronomia. A iniciativa pretende desenvolver investigação em observação astronómica e exploração do espaço profundo, promovendo igualmente a formação de investigadores e o intercâmbio académico.
Estes projetos dão continuidade a mais de três décadas de cooperação espacial, iniciada com o programa CBERS, lançado em 1988, que se tornou uma referência internacional na cooperação Sul–Sul em satélites de observação da Terra. Ao alargar esta colaboração à internet por satélite e à ciência de fronteira, Brasil e China procuram adaptar a parceria aos desafios atuais, combinando inclusão digital, inovação científica e uma estratégia conjunta de longo prazo no setor espacial.