China: Economia cresce acima do esperado

A economia chinesa cresceu 5,4% no primeiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior, ultrapassando as previsões dos analistas, que apontavam para 5,1%.

Este é o ritmo de crescimento mais acelerado em 18 meses, segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas da China (NBS). Ainda assim, as autoridades alertam para os desafios estruturais e externos que persistem, especialmente num contexto de tensão comercial renovada com os Estados Unidos.

Apesar do desempenho robusto, o NBS sublinhou que o ambiente externo continua “complexo e difícil”, e que a procura interna ainda carece de estímulos mais eficazes para assegurar uma recuperação sustentada.

A resposta do governo chinês tem passado por políticas macroeconómicas expansionistas. O défice orçamental foi alargado para 4% do PIB — o valor mais elevado em três décadas — e foram anunciadas novas medidas de apoio ao consumo e ao investimento, com o objetivo de atingir a meta oficial de 5% de crescimento anual.

Em março, vários indicadores económicos reforçaram esta tendência positiva.

A produção industrial subiu 7,7%, superando a previsão de 5,9%, enquanto as vendas a retalho aumentaram 5,9%, também acima das expectativas.
Estes dados sugerem uma recuperação do consumo interno, embora ainda marcada pela fragilidade do setor imobiliário, cuja queda foi de 9,9% no mesmo período. Já o investimento em ativos fixos cresceu 4,2%, e a taxa de desemprego caiu para 5,2%.

Contudo, o cenário económico poderá alterar-se rapidamente com a imposição de novas tarifas pelos EUA.

Donald Trump já anunciou medidas de 145% sobre produtos chineses, o que poderá travar o ímpeto atual da economia do país asiático.
Vários analistas alertam que os efeitos destas tarifas ainda não se refletem nos dados do primeiro trimestre.

Nos mercados, a reação foi contida.
Os principais índices chineses registaram quedas, com o Hang Seng a recuar 2,6% e o Shanghai Composite a desvalorizar 0,92%. O yuan offshore manteve-se estável face ao dólar, mas continua sob pressão, tendo atingido os níveis mais baixos desde 2007.

O desempenho positivo da economia chinesa nos primeiros meses do ano demonstra eficácia das políticas de estímulo, mas o agravamento das tensões comerciais com Washington pode comprometer a trajetória de recuperação, colocando incertezas sobre o segundo semestre.

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