Investigadores da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara descobriram que o Mar Morto, além de ser o corpo de água mais salgado da Terra, abriga gigantescos depósitos subterrâneos de sal em formação.
Estes “gigantes de sal” podem ter muitos quilômetros de extensão horizontal e mais de um quilómetro de espessura vertical, oferecendo aos cientistas uma oportunidade única de estudar processos geológicos que ocorreram há milhões de anos no Mediterrâneo.
O fenómeno resulta da combinação de evaporação intensa, variações de temperatura e padrões incomuns de mistura das camadas de água. Durante o verão, a evaporação aumenta a salinidade da camada superior, enquanto a “neve salgada” precipita-se tanto na estação quente quanto na fria, criando depósitos de sal de diferentes formas e tamanhos ao longo do fundo do lago. Estes processos também estão ligados à transição do lago de um estado meromítico, estratificado, para holomítico, com reviravoltas anuais na coluna de água.
Os cientistas destacam que a pesquisa não só permite compreender melhor a formação de grandes depósitos de sal e fenómenos raros em lagos hipersalinos, mas também fornece pistas sobre a estabilidade costeira e a erosão em regiões áridas. Além disso, os fluxos de salinidade e as nascentes no fundo do lago contribuem para estruturas como domos e chaminés de sal, com potencial para estudos de extração de recursos.
Estes achados oferecem uma janela sobre processos naturais complexos que moldam corpos d’água hipersalinos e têm implicações importantes para a geologia histórica, a gestão ambiental e a exploração de recursos minerais.