As inundações repentinas que atingiram o Nepal a 26 de agosto de 2026 deixaram um cenário de enorme destruição, com cerca de 2,2 milhões de toneladas de detritos acumulados nas zonas afetadas. A estimativa preliminar do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), baseada em análises de satélite, revela a dimensão dos estragos provocados pela passagem de água, lama, pedras e outros materiais pelas comunidades atingidas.
Entre os detritos encontram-se edifícios destruídos, bens domésticos, vegetação, rochas e grandes quantidades de sedimentos. Cerca de 556 mil toneladas correspondem a destroços de edifícios. O elevado volume de lama e escombros está a dificultar as operações das equipas de emergência, tornando mais complexa e perigosa a procura por pessoas que continuam desaparecidas ou possam estar presas sob as estruturas destruídas.
De acordo com os dados apresentados pelas Nações Unidas, as inundações provocaram cerca de mil mortos e mais de quatro mil desaparecidos, enquanto 10.451 pessoas foram resgatadas pelas equipas especializadas. A destruição também afetou infraestruturas essenciais: 11 centrais hidroelétricas e uma central solar, com uma capacidade conjunta de 431,1 megawatts, deixaram de funcionar. Outros 15 projetos energéticos em construção, com uma capacidade prevista de 470 megawatts, sofreram igualmente danos.
Os efeitos da catástrofe atingiram particularmente comunidades que já enfrentavam condições sociais e económicas frágeis. Dados do Governo nepalês indicam que 84.270 pessoas foram afetadas em 17 municípios de seis distritos, sobretudo em zonas rurais e montanhosas. Cerca de três quartos da população afetada viviam em áreas com dificuldades no acesso a meios de subsistência e serviços básicos, enquanto 67,4% das pessoas nos municípios atingidos dependem da agricultura.
A destruição de terrenos agrícolas, culturas e explorações pecuárias poderá prolongar os efeitos da tragédia sobre a segurança alimentar e os rendimentos das famílias. O momento das inundações agrava ainda mais a situação, uma vez que a principal época de plantação associada às monções decorre entre junho e setembro. O PNUD defende, por isso, que a recuperação deve dar prioridade às populações mais afetadas e contribuir para reconstruir comunidades mais resistentes a futuras catástrofes.