O avanço da China no comércio global está a causar um forte impacto nas economias emergentes, com encerramentos de fábricas e perda de empregos em larga escala.
Em Surakarta, na Indonésia, dezenas de fábricas têxteis fecharam, refletindo uma tendência mais ampla: a crescente dependência do mundo das exportações chinesas.
Segundo a Associação Indonésia de Produtores de Fibras, o país perdeu 250 mil empregos no setor têxtil em dois anos, podendo perder mais meio milhão até 2025. Os especialistas falam num “China Shock 2.0”, impulsionado pelo aumento da capacidade industrial chinesa após o redirecionamento económico do governo de Xi Jinping.
O excedente comercial da China atingiu quase um bilião de dólares em 2024, agravado pela guerra comercial com os EUA, que levou Pequim a procurar novos mercados.
Países como México, Tailândia, Malásia e Índia já reagiram com tarifas e medidas anti-dumping, mas enfrentam o dilema de proteger as suas indústrias sem comprometer os laços económicos com a China.
Este novo choque não se limita ao setor têxtil, afetando também áreas como veículos elétricos, siderurgia e tecnologia, alterando profundamente a dinâmica do comércio global.