O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em alta as previsões para a economia chinesa e estima agora que o país cresça 5% em 2025 e 4,5% em 2026, graças ao dinamismo das exportações e ao estímulo fiscal adotado por Pequim.
A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, apresentou esta quarta-feira as conclusões preliminares das Consultas do Artigo IV, sublinhando que a China continua a ser responsável por cerca de 30% do crescimento económico global.
Apesar desta resiliência, o FMI alerta que a economia chinesa enfrenta fragilidades estruturais que exigem ação urgente. A procura interna continua fraca, condicionada pela crise prolongada no setor imobiliário, pela confiança deprimida dos consumidores e por pressões deflacionistas. A inflação persistentemente baixa, comparada com a dos parceiros comerciais, provocou uma depreciação acentuada da taxa de câmbio real, reforçando a dependência excessiva das exportações.
Georgieva defendeu que este é o momento para avançar com reformas profundas que reforcem o consumo e reequilibrem o modelo económico do país. O FMI recomenda mais estímulo fiscal direcionado para a proteção social — sobretudo em zonas rurais —, maior flexibilização monetária, reformas para integrar trabalhadores migrantes nos sistemas de apoio social e a redução de políticas industriais que distorcem a alocação de recursos. Medidas adicionais incluem remover barreiras ao setor dos serviços, melhorar a produtividade e reestruturar dívidas insustentáveis dos governos locais.
Segundo o FMI, avanços significativos nestas áreas poderiam elevar o nível do PIB em cerca de 2,5% até 2030 e criar 18 milhões de novos empregos. Georgieva sublinhou que uma economia chinesa mais equilibrada, menos dependente das exportações e mais centrada no consumo doméstico, seria não apenas mais estável internamente, mas também um contributo importante para o reforço da economia global.