Japão usa satélites e IA para localizar casas abandonadas — e o modelo pode inspirar Portugal

O Japão está a recorrer a inteligência artificial e imagens de satélite para identificar casas abandonadas e colocá-las no mercado, numa resposta ao envelhecimento da população e ao aumento de imóveis devolutos. Segundo a Kyodo News, dezenas de empresas já utilizam esta combinação tecnológica para localizar propriedades esquecidas e ajudar potenciais compradores.

A startup Where Inc. destaca-se com um sistema de IA treinado com milhares de imagens, capaz de reconhecer sinais de abandono — como ferrugem ou descoloração nos telhados — e assinalá-los em mapas de satélite. O método revelou-se eficaz: um utilizador, Kotaro Yasue, encontrou assim uma casa que estava desocupada há mais de uma década e acabou por comprá-la por apenas um iene (0,0055 €), após contactar o proprietário através do registo imobiliário.

A tecnologia usada pela Where foi inicialmente desenvolvida para analisar crateras na Lua, através de uma entidade ligada à agência espacial japonesa JAXA. Além de casas devolutas, o sistema também identifica terrenos com potencial para estacionamento ou instalação de painéis solares. Desde o lançamento alargado do serviço, em 2024, a empresa já reúne cerca de 50 clientes empresariais.

O problema em causa é enorme: em 2023, o Japão tinha cerca de 9 milhões de casas abandonadas.

E Portugal? IA também poderia ajudar

O caso japonês levanta a questão de se Portugal poderia adotar soluções semelhantes. Segundo os Censos do INE, existem no país cerca de 723 mil casas devolutas, um número significativo que afeta tanto a habitação como a gestão urbana.

Portugal já deu pequenos passos, com a aplicação Devolutos, que permite aos cidadãos sinalizar imóveis vazios através de fotografias georreferenciadas. Porém, o uso de IA e observação por satélite — como no Japão — poderia acelerar a identificação sistemática de prédios devolutos e facilitar a sua entrada no mercado ou programas públicos de reabilitação.

Num momento em que a habitação é um dos temas mais críticos do país, a experiência japonesa mostra como tecnologia avançada pode ser parte da solução.

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