Investigadores independentes mandatados pela ONU revelaram que os centros de detenção administrados pelos militares de Mianmar recorrem a “tortura sistemática”, incluindo espancamentos, choques elétricos, estrangulamentos e violações coletivas.
O relatório anual do Mecanismo Independente de Investigação para Mianmar (IIMM), divulgado esta terça-feira, aponta que as atrocidades se intensificaram, com evidências significativas que ligam comandantes militares à supervisão direta destes crimes.
O documento, baseado em mais de 1.300 fontes e quase 600 testemunhos de sobreviventes e testemunhas oculares, também detalha execuções sumárias, queima de genitais, ataques aéreos contra escolas, casas e hospitais — inclusive durante operações de resgate após o sismo de março de 2025. As investigações estendem-se a crimes recentes no estado de Rakhine e a atrocidades cometidas contra a minoria muçulmana Rohingya em 2016 e 2017.
As provas recolhidas já serviram de base para processos no Tribunal Penal Internacional e no Tribunal Internacional de Justiça, tendo contribuído para pedidos de mandados de prisão contra Min Aung Hlaing, chefe militar de Mianmar, e outras figuras de topo.
O país vive desde o golpe militar de 2021 uma guerra civil que deslocou milhões de pessoas e mergulhou Mianmar numa grave crise política, económica e humanitária. Apesar das restrições orçamentais e da falta de acesso direto ao território, os investigadores da ONU afirmam estar determinados em documentar e preservar provas para futuras ações de responsabilização internacional.