Um ano após a queda de Bachar al-Assad, as medidas adotadas pelas autoridades sírias de transição para combater o tráfico de droga estão a reduzir significativamente a produção industrial de captagon no país.
De acordo com um novo relatório do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (ONUDC), desde dezembro de 2024 foram desmantelados 15 laboratórios industriais e 13 instalações de armazenamento desta anfetamina sintética ilegal, que durante a guerra civil constituiu uma importante fonte de financiamento do antigo regime.
Apesar destes progressos, o tráfico está longe de ter sido erradicado. O relatório indica que, desde a chegada das novas autoridades a Damasco, pelo menos 177 milhões de comprimidos de captagon foram apreendidos em toda a região do Médio Oriente, evidenciando a persistência de um mercado alimentado sobretudo pela forte procura nos países do Golfo. A ONU refere ainda que não foi possível confirmar se parte da produção anterior foi transferida para outras regiões, como África.
Durante a última década, cerca de 80% das apreensões de captagon na região tinham a Síria como país de origem. Antes de dezembro de 2024, a produção podia atingir vários milhões de comprimidos por dia, criando stocks suficientes para sustentar o tráfico durante anos. Só a Síria afirma ter apreendido mais de 500 milhões de comprimidos entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, enquanto o Líbano e a Jordânia registaram aumentos significativos nas interceções.
Segundo o ONUDC, o reforço da cooperação regional e a partilha de informações têm conduzido a apreensões recorde em 2025, embora os traficantes estejam a explorar novas rotas, incluindo pontos de reencaminhamento na Europa e no Norte de África. O organismo alerta ainda para o risco de deslocação do consumo para outras drogas sintéticas, defendendo uma abordagem integrada que combine repressão com prevenção, tratamento e reabilitação baseados em evidência científica.