Um ataque contra o navio mercante Tihamah, ao largo da costa sul do Iémen, provocou a morte de vários marinheiros e voltou a aumentar os receios sobre a segurança da navegação e o funcionamento das cadeias de abastecimento globais. O ataque, atribuído aos houthis, ocorre num momento de forte instabilidade no transporte marítimo internacional.
O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Dominguez, condenou o ataque e lamentou a morte de marinheiros. Segundo o responsável, os ataques contra a navegação internacional no Mar Vermelho e no Golfo de Áden agravam as tensões e representam uma ameaça para as cadeias de abastecimento das quais dependem as economias mundiais.
O Mar Vermelho e o Canal de Suez constituem uma das principais rotas comerciais do planeta, por onde passa entre 12% e 15% do comércio mundial, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Os ataques dos houthis contra navios comerciais nos últimos anos já tinham levado várias companhias a evitar a região e a optar por rotas mais longas em torno de África.
A situação é agravada pela paralisação da navegação no Estreito de Ormuz, em consequência da guerra entre o Irão e os Estados Unidos. Dados da OMI indicam que apenas cerca de sete navios atravessaram o estreito num domingo recente, quase 20 vezes menos do que a média diária registada antes do conflito. A redução do tráfego tem afectado as exportações de petróleo, gás e fertilizantes e contribuído para a subida dos preços.
A OMI alerta ainda para a situação dos marítimos retidos na região. Cerca de 6.000 tripulantes e 500 embarcações permanecem presos no Estreito de Ormuz ou nas suas proximidades, enquanto o plano de evacuação coordenado pela organização foi suspenso devido à continuação dos combates. Arsenio Dominguez apelou à libertação imediata dos marinheiros mantidos em cativeiro e reiterou que a protecção dos trabalhadores marítimos constitui uma responsabilidade da comunidade internacional.