Banco Mundial defende investimento nas cidades africanas para criar milhões de empregos

A África Subsaariana poderá transformar o rápido crescimento das suas cidades numa importante fonte de crescimento económico e criação de emprego, segundo um novo relatório do Grupo Banco Mundial, divulgado a 29 de Outubro de 2026, em Washington. O documento, intitulado O despertar urbano da África Subsaariana: impulsionar o crescimento económico e a criação de emprego, prevê que a população urbana da região aumente em 748 milhões de pessoas entre 2025 e 2050.

O relatório considera que esta expansão representa uma oportunidade para criar mais empregos e melhorar as condições de trabalho de uma população jovem em crescimento. As famílias urbanas apresentam já despesas por adulto significativamente superiores às das famílias rurais com níveis de escolaridade semelhantes, o que reflecte, em parte, o acesso a empregos mais numerosos e melhor remunerados nas cidades. Para aproveitar este potencial, o Banco Mundial defende investimentos em infra-estruturas, transportes, habitação a preços acessíveis, acesso ao financiamento e melhores condições para a instalação de empresas.

Nas grandes cidades, os governos deverão concentrar recursos em zonas que aproximem os trabalhadores das empresas e das oportunidades económicas. Nas periferias urbanas, o planeamento antecipado é considerado essencial para acompanhar a expansão populacional, através da construção de redes rodoviárias e da reserva de terrenos para infra-estruturas fundamentais antes de a ocupação urbana se consolidar. O relatório recomenda também a revisão de regras que dificultam a proximidade entre os locais de residência e de trabalho.

O documento destaca ainda o potencial económico de mais de 15 mil pequenas cidades da África Subsaariana. Em vez de distribuir os investimentos de forma uniforme, o Banco Mundial propõe uma abordagem selectiva, privilegiando localidades com melhores perspectivas económicas e geográficas, sobretudo as situadas junto de corredores de transporte e de outras áreas de actividade. Nas localidades com menos oportunidades, os investimentos em educação e saúde poderão ajudar os habitantes a aceder a mercados de trabalho mais dinâmicos.

Para concretizar estas prioridades, o relatório recomenda o reforço da governação urbana, de mecanismos de financiamento previsíveis e da responsabilização das instituições públicas. Entre as medidas propostas está a modernização dos sistemas de cobrança do imposto predial através de tecnologias de baixo custo, permitindo aumentar as receitas municipais, melhorar a capacidade de crédito das cidades e atrair investimento privado, nomeadamente através de parcerias público-privadas. Para o Banco Mundial, as decisões tomadas nesta fase serão determinantes para garantir que a urbanização se traduz em infra-estruturas melhores, maior produtividade e mais oportunidades de emprego nas próximas décadas.

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