Investigações recentes alertam que metade das praias do mundo pode desaparecer nas próximas décadas devido à combinação da elevação do nível do mar, impulsionada pelas mudanças climáticas, e da pressão humana sobre as zonas costeiras.
O alerta foi feito pelo cientista marinho uruguaio Omar Defeo, durante o simpósio Dia da FAPESP Uruguai, realizado em Montevidéu, que destacou a necessidade de colaboração regional para proteger os ecossistemas costeiros de Uruguai, Brasil e Argentina.
Defeo explicou que os ecossistemas costeiros são compostos por três zonas interligadas – duna, praia e zona submersa – que se alimentam mutuamente de sedimentos e protegem tanto a biodiversidade quanto as comunidades litorâneas. Segundo ele, a urbanização e a construção de edifícios diretamente sobre a areia prejudicam a troca natural de sedimentos, aumentando o risco de erosão e destruindo habitats essenciais para diversas espécies.
Estudos conduzidos por Defeo e cientistas brasileiros apoiados pela FAPESP, incluindo Guilerme Corte, revelaram que a presença humana e a construção em praias reduzem a riqueza de espécies e a biomassa, afetando negativamente todo o ecossistema costeiro, desde a areia seca até as zonas submersas. Em contrapartida, algumas espécies oportunistas aumentam em número, mas sem compensar os impactos ecológicos globais.
Outra investigação global conduzida pelo mesmo grupo analisou 315 praias e identificou que um quinto delas apresenta erosão intensa ou severa, com fatores agravantes como elevação do nível do mar, mudanças nos ventos e nas ondas, e atividades humanas. Defeo destacou a importância de medidas de conservação e gestão integrada das praias, reforçando a necessidade de parcerias internacionais para preservar esses ecossistemas vitais e proteger as comunidades costeiras.