Um novo estudo da Universidade da Califórnia, em São Francisco (UCSF), revelou uma explicação surpreendente para o alívio dos sintomas do lúpus em pessoas mais velhas. Os investigadores descobriram que certos genes antivirais, ligados à inflamação descontrolada da doença, tornam-se menos ativos com o envelhecimento, permitindo que o sistema imunitário recupere parte do equilíbrio e reduza os ataques aos próprios tecidos do corpo.
A investigação, publicada a 4 de agosto na Science Translational Medicine, analisou amostras de sangue de pacientes com lúpus de várias idades. Enquanto os adultos saudáveis normalmente enfrentam um aumento gradual da inflamação com a idade — um processo conhecido como “inflammaging” —, os pacientes com lúpus mostraram o padrão oposto: uma atividade inflamatória intensa na meia-idade, mas surpreendentemente menor a partir dos 60 anos.
“É como se o corpo dos pacientes com lúpus começasse a ‘desligar’ os sinais que causam os surtos da doença”, explicou a reumatologista Sarah Patterson, uma das autoras do estudo. Segundo ela, pacientes que ultrapassam as décadas mais críticas da vida adulta podem, em alguns casos, observar uma melhoria notável na sua condição clínica.
A descoberta abre portas para novas abordagens terapêuticas baseadas na idade dos pacientes. A equipa da UCSF já planeia estudar se tratamentos que bloqueiam os interferons — moléculas centrais na resposta inflamatória — devem ser ajustados conforme a idade. Além disso, os cientistas acreditam que a mesma lógica poderá ser aplicada a outras doenças inflamatórias, como a artrite reumatoide e a aterosclerose.