A Vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, apontou que a cimeira que reúne, em Roma, chefes de Estado e de governos africanos, italianos e diversos representantes internacionais, como a União Africana e do Banco Mundial, é uma oportunidade para a mudança sobre as questões de migração e ressaltou o potencial africano para novas parcerias.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) pediu especial proteção das pessoas em movimento. As mortes de migrantes ocorridas no Mediterrâneo, em 2024, já ultrapassam o dobro face ao mesmo período do ano passado. Segundo as Nações Unidas, cerca de 100 pessoas morreram ou desapareceram no Mediterrâneo Central e Oriental, desde o início de 2024. Os dados da OIM revelam que a evolução do número de mortes e desaparecimentos de migrantes em todo o Mediterrâneo foi de 2048, em 2021, passando para 2411, em 2022, e culminando em 3041, no final de 2023.
Na Cimeira Itália-África foram ainda debatidos a possibilidade de criação de fundos para o desenvolvimento e parcerias. Na reunião, Amina Mohammed destacou as possibilidades de estabelecer uma “parceria igualitária em benefício de todos”, apelado aos países africanos que trabalhem em conjunto por um resultado que proporcione a mudança necessária. A chefe da agência anunciou ainda o reforço da atuação com a Itália como uma “ponte entre a Europa e África através de um modelo de cooperação, desenvolvimento e parceria igualitária”.
Na conferência, a diretora-geral da OIM, Amy Pope, enfatizou a necessidade de se discutir soluções para proteger os migrantes. A OIM quer mecanismos uniformizados e sustentáveis para impedir que mais pessoas morram em rotas e para proteger as pessoas em movimento. A execução de uma abordagem abrangente que inclua vias seguras e regulares beneficiará tanto os migrantes como os Estados.
No evento, a OIM publicou um plano para uma plataforma de ideias partilhadas. Várias agências produziram recomendações para fornecer auxílio humanitário a migrantes em perigo e abordar o risco enfrentado por pessoas que embarcam em rotas perigosas.