Cortes no financiamento do VIH ameaçam progressos alcançados

Os recentes cortes no financiamento internacional para a resposta ao VIH estão a comprometer décadas de progressos no combate à epidemia, alertam especialistas em saúde global e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o VIH/SIDA (UNAIDS). Em 2025, o financiamento externo destinado aos países de baixo e médio rendimento caiu 18% face ao ano anterior, a maior redução em quase duas décadas, afetando programas de prevenção, rastreio e tratamento, sobretudo os desenvolvidos ao nível das comunidades.

Segundo os especialistas, a diminuição do apoio internacional, agravada pela redução do financiamento norte-americano através da USAID, já está a provocar a interrupção de serviços, a perda de profissionais de saúde e maiores dificuldades no acesso aos cuidados. Em vários países africanos, como os Camarões, a Nigéria e a Zâmbia, registou-se uma quebra superior a 50% na utilização da profilaxia pré-exposição (PrEP), essencial para prevenir novas infeções.

Apesar de as mortes relacionadas com a sida terem diminuído 57% desde 2010 e mais de 32 milhões de pessoas estarem atualmente em tratamento, a ONU alerta que o mundo continua longe das metas definidas para eliminar o VIH até 2030. O relatório defende uma transição gradual para modelos de financiamento mais sustentáveis, com maior responsabilidade dos próprios países, sem comprometer os cuidados prestados às populações mais vulneráveis.

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