As despesas militares globais atingiram um valor sem precedentes de 2,7 biliões de dólares em 2024, num contexto marcado pelo agravamento de guerras e tensões geopolíticas em várias regiões do mundo. O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou que “o mundo está a gastar muito mais em fazer a guerra do que em construir a paz”, ao apresentar o seu novo relatório sobre o impacto do aumento contínuo da despesa militar.
Segundo dados das Nações Unidas, os gastos com segurança cresceram em todas as cinco regiões globais, registando o aumento anual mais acentuado das últimas três décadas. Para comparação, o valor destinado a orçamentos militares equivale a quase 13 vezes a ajuda ao desenvolvimento concedida pelos países do Comité de Ajuda da OCDE em 2024. Guterres destacou que apenas uma fração desse montante poderia eliminar a pobreza extrema ou financiar educação, saúde e adaptação climática nos países em desenvolvimento.
A ONU sublinha que o desequilíbrio nas prioridades globais está a pôr em risco os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), numa altura em que apenas um dos 17 está no caminho certo para ser cumprido.
O relatório defende uma abordagem de segurança centrada nas pessoas, assente na diplomacia, na cooperação internacional e no desenvolvimento sustentável. Para Guterres, o ciclo vicioso de pobreza, instabilidade e aumento da despesa militar só poderá ser travado com investimento em educação, saúde e oportunidades económicas.